Centenário de César Lattes
No dia 11 de julho deste ano celebrou-se o centenário do pesquisador curitibano Cesare Mansueto Giulio Lattes ou, como ficou mais conhecido, César Lattes. Muitos estudantes devem reconhecer este sobrenome pela importante Plataforma Lattes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nomeada em homenagem a um dos cientistas mais importantes de nosso país.
Formado em física pela USP no início dos anos 1940, Lattes foi convidado para trabalhar no laboratório chefiado pelo professor Cecil Powell na Universidade de Bristol na Inglaterra. A despeito de ter sido o pesquisador principal e responsável pela identificação de partículas méson Pi – teorizadas anteriormente em 1935 por outro cientista – através de imagens coletadas a mais de 2.800 metros de altitude em solo boliviano, Lattes viu o prêmio Nobel de Física de 1950 ser entregue apenas para Powell.
Apesar disso, o cientista brasileiro ficou muito conhecido no meio acadêmico internacional, recebendo diversos convites para continuar trabalhando em laboratórios no exterior, mas optando por retornar ao Brasil. Lattes defendeu intensamente o desenvolvimento da ciência em território nacional, tendo participado da criação do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e da fundação do CNPq, além de suas atividades como professor e pesquisador na USP e Unicamp. César Lattes nos deixou em 2005, mas seu nome será lembrado ainda por gerações de brasileiros.
Apagão cibernético impacta serviços em todo o mundo
Uma falha no software de segurança cibernética Crowdstrike Falcon ocasionou uma pane digital com alcance global no dia 19 de julho. Como a empresa Microsoft adota o software em seu sistema operacional Windows, o problema se alastrou rapidamente em diversos aparelhos que o utilizam. Segundo as informações iniciais, foram cerca de 5 mil voos cancelados, mais de 40 mil atrasados, redes televisivas tiveram suas programações interrompidas em alguns países, suspensão de negociações em diversas bolsas de valores e até redes hospitalares de países como os EUA, Reino Unido e Alemanha foram atingidas.
Já no Brasil, alguns dos efeitos do apagão foram sentidos por clientes de alguns bancos, usuários de serviços da Microsoft, serviços governamentais e pela companhia aérea Azul. Ainda é muito cedo para que se tenha ideia do prejuízo total originado pela pane, mas estima-se que pode ultrapassar o valor de 1 bilhão de dólares estadunidenses.
Movimento Go Home
Imagens de uma manifestação contra o turismo ocorrida no dia 6 de julho em Barcelona correram o mundo todo nas últimas semanas. Em torno de 3 mil manifestantes em passeata entoaram palavras de ordem contra os efeitos gerados pelo grande fluxo de turistas no litoral da cidade que recebe o maior número de visitantes estrangeiros na Espanha. Com direito ao uso de brinquedos lançadores de água e grafite em paredes, os manifestantes demonstraram seu descontentamento seguindo os passos de outras localidades espanholas que já haviam realizado atos pela redução do turismo nos últimos meses, tais como Mallorca, Málaga e Ilhas Canárias.
A Espanha é um dos maiores destinos turísticos do mundo, recebendo dezenas de milhões de turistas ao ano, com a Catalunha – onde Barcelona é a capital – sendo o principal destino desses turistas estrangeiros. Só em 2023, por exemplo, foram mais de 12 milhões de turistas na cidade. Além disso, o setor turístico representa cerca de 12% do PIB do país, com tendência a aumentar, tendo em vista que no ano passado foi registrado recorde no número de turistas, ultrapassando os 85 milhões de visitantes internacionais.
Entre as reclamações dos catalães, o aumento do custo de vida figura como a principal. Para se ter uma noção, na última década houve um aumento de 68% no custo de aluguel dos imóveis da região. Desta maneira, o movimento “Go Home” (como tem sido nomeado) se alastra pela Espanha e pode ser compreendido como uma reação ao modelo econômico que enxerga a atividade turística apenas por uma ótica lucrativa, beneficiando os empresários do setor em detrimento dos moradores – com impactos de maior intensidade entre faixas de renda menores -, e impedindo que o turismo cumpra seu potencial de realizar uma ampla troca cultural entre pessoas de diferentes localidades.
Manto Tupinambá é devolvido ao Brasil
Após mais de 300 anos, foi devolvido ao Brasil o Manto Tupinambá, importante artefato ancestral dos povos originários brasileiros. O item sagrado dos Tupinambás feito majoritariamente de penas vermelhas da ave Guará é um dos 11 únicos deste tipo e estava em posse do Nationalmuseet (o Museu Nacional da Dinamarca) desde 1689, tendo sido recebido pelo Museu Nacional no Rio de Janeiro no início deste mês de julho após doação dinamarquesa. A devolução do manto é fruto de uma luta que iniciou-se no ano 2000, finalmente colhendo seus frutos e abrindo caminho para que mais possa ser conquistado, como, por exemplo, os cerca de 600 artefatos de diferentes povos indígenas que foram devolvidos pela França na mesma semana da chegada do manto.
Embora o regresso do manto simbolize a repatriação de uma parte muito importante da nossa cultura nacional e deva ser motivo de comemoração, os outros 10 mantos existentes ainda se encontram em solo europeu, assim como diversos outros artefatos e documentos indígenas. Todos precisam ser devolvidos, não apenas para que fiquem expostos em museus, mas pelo que representam para os povos originários brasileiros, devolvendo uma parte viva de sua cultura que foi roubada séculos atrás.
Lençóis Maranhenses recebem título de patrimônio natural da humanidade
Uma das mais incríveis belezas naturais brasileiras foi declarada patrimônio natural da humanidade pela UNESCO em cerimônia no dia 26 de julho. Como consequência, esse reconhecimento deve atrair mais turismo para a região, mas mais importante do que isto, a preservação da região deve receber uma maior atenção. O dossiê para a candidatura já estava pronto desde 2018, mas o processo foi paralisado pelo governo federal anterior, que, além disso, havia incluído o Parque em programa de privatizações via decreto, ato revertido pela atual gestão federal.
O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses fica situado no litoral do Maranhão, contando com uma extensão de 155 mil hectares, nos quais 90 mil referem-se a dunas e lagoas formadas entre os montes de areia em períodos chuvosos. Embora esteja inserido no Cerrado, possui ainda características dos biomas Caatinga e Amazônia, tratando-se de uma zona de transição. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), trata-se do maior campo de dunas em solo brasileiro, abrigando ecossistemas variados como a restinga e o manguezal.
Por fim, vale destacar que esse não é o primeiro reconhecimento de um patrimônio mundial natural brasileiro pela UNESCO. Além dos Lençóis Maranhenses, já foram oficializadas outros sete patrimônios mundiais naturais em solo brasileiro, tais como os Parques Nacionais da Chapada dos Veadeiros e das Emas em Goiás, o Parque Nacional do Iguaçu no Paraná e o complexo de conservação da Amazônia Central em Amazonas.